A incapacidade para o trabalho, contexto e tendências

A incapacidade para o trabalho é um fenômeno complexo, de alcance mundial crescente e alto custo para indivíduos, empresas e sociedade. A discussão no cenário internacional está calcada no impacto negativo relacionado aos aspectos individuais, sociais e de custos para governos e empresas (OECD, 2010). Na Holanda, o absenteísmo e a redução da produtividade alcançam 26 milhões de euros, quase 5% do Produto Nacional Bruto (NOBEN et al., 2012).

No Brasil, cerca de 2,5 milhões de benefícios por incapacidade temporária e 250 mil por incapacidade permanente, são concedidos anualmente para os segurados pela Previdência Social que, por motivo de doença ou de acidente relacionados ou não ao trabalho, passaram a apresentar limitações físicas ou psíquicas que os impediram de continuar sua atividade (BRASIL, 2015). Observa-se que cerca de 50% dos trabalhadores, que estão vinculados ao Programa de Reabilitação Profissional do INSS, permanecem afastados do trabalho por mais de 240 dias (SANTOS; LOPES, 2015). Esse achado causa preocupação, tendo em vista que os trabalhadores afastados por um longo prazo apresentam uma maior dificuldade para retornar ao trabalho.

Os afastamentos por lesões e traumas causados por acidentes são as principais causas de concessão de benefícios temporários devido à incapacidade para o trabalho. Os afastamentos por distúrbios musculoesqueléticos e os transtornos mentais, que muitas vezes estão associados às doenças musculoesqueléticas, são a segunda e a terceira causas de concessão de benefícios por incapacidade temporária na indústria (BRASIL, 2015). Estes problemas de saúde, muitas vezes, não estão diretamente relacionados ao trabalho, mas geram afastamentos prolongados e barreiras para o retorno e a permanência do trabalhador na vida produtiva.

Para o trabalhador, a incapacidade para o trabalho é um desafio, pois quando prolongada, tende a impactar na sua vida familiar, levar a perda de renda, baixa autoestima, desvalorização social, além da dependência de assistência médica e de seguridade social (ODEEN, 2013).

Escuta recente, realizada pelo SESI com diversas empresas industriais, evidenciou que, para a empresa, a incapacidade para o trabalho traz vários desafios. Destacam-se como principais: a queda na produtividade, sobretudo devido aos afastamentos de curto prazo que desorganizam e reduzem a produção; a dificuldade no processo de retorno ao trabalho, principalmente em trabalhadores afastados por longo prazo; as recidivas de afastamento de curto e de longo prazo; e os custos com os dias de trabalho perdidos, horas extras, substituições, novas contratações, capacitações, Seguro Acidente de Trabalho devido ao aumento do Fator Acidentário de Prevenção, Termos de Ajustes de Conduta (TAC), ações regressivas, ações judiciais, entre outras implicações.

Conheça mais sobre a temática Prevenção da Incapacidade no Trabalho e suas respectivas soluções inovadoras, acessando a Plataforma Nacional de soluções SESI.

Autores:

André Luna

Cristina de Sá Pacheco Rocha

Eliane Cardoso Sales

Lívia Maria Aragão de Almeida Lacerda

Newton Augusto Novis Figueiredo

 

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