A 4ª revolução industrial e os paradigmas para a saúde

Estamos imersos à quarta revolução industrial, a chamada Indústria 4.0, que se refere à digitalização e à integração de cadeias de valor e produtos ou serviços de TI (tecnologia da informação). Máquinas e seres humanos conectados, interagindo em tempo real, criarão oportunidades de manter ou ampliar o relacionamento com os clientes, mas também tornarão mais intensa a concorrência por eles.

Enquanto a terceira revolução industrial focava na automatização do processo mecânico, a quarta revolução foca, além da digitalização de ativos físicos, na integração de escalas digitais e em valor agregado na cadeia de parceiros (WORLD ECONOMIC FORUM, 2016). Na saúde, há uma crescente utilização de recursos tecnológicos, como wearables para diagnóstico e monitoramento. Já na segurança, as tendências apontam para tecnologias como realidade aumentada e exoesqueletos aplicados à indústria para facilitar tarefas de produção, reduzir erros e aumentar a produtividade, além do uso de tecnologias para a supervisão de normas internas e de segurança – como EPI (Equipamentos de Proteção Individual) e EPC (Equipamentos de Proteção Coletiva).

Em ambos os casos, para gerar receitas adicionais, às indústrias agregam ao seu portfólio produtos com funcionalidades digitais e introduzem serviços inovadores de data analytics. As áreas de genética, inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia estão em pleno desenvolvimento. Além disso, essa revolução irá causar mudanças tanto de maneira individual, nas empresas, como também nas dinâmicas de marketing e no aumento do alcance das indústrias tanto em países desenvolvidos como em mercados emergentes (GEISSBAUER; VEDSO; SCHRAUF, 2016a).

Na saúde, a tecnologia tem sido usada tanto para reabilitar quanto para aprimorar a capacidade das funções humanas, isto é, cognição, audição, visão e mobilidade. Nesse setor, o principal objetivo dos dispositivos health widgets é restaurar funções prejudicadas ou mesmo aprimorar o nível atual de capacidade humana. O uso dessas tecnologias pode ser de forma não-invasiva ou invasiva. As tecnologias não-invasivas são indolores e não requerem aplicação de ferramentas ou técnicas que proporcionem desconforto para o usuário. Como exemplos têm-se as já citadas interfaces entre cérebro e computador, os wearables e exoesqueletos. As tecnologias invasivas incluem nootrópicos (suplementos que melhoram a memória e a cognição) e eletroquímicos. Estes envolvem administração local de drogas ou implantação de neuroestimuladores no corpo humano. Embora a maioria destes procedimentos seja indolor, a implantação de neuroestimuladores requer intervenções cirúrgicas que podem não ser bem toleradas por todos os indivíduos (FROST; SULLIVAN’S, 2016).

Em um futuro próximo, o paciente receberá cuidados coordenados, concentrados em suas necessidades específicas ao invés de ter que buscar diferentes profissionais de saúde por conta própria. Haverá uma maior conscientização sobre fatores de risco genéticos e serão encorajados cuidados preventivos a partir de diagnósticos precoces. Assim, será possível prevenir estados de doença avançados e reduzir o tratamento ineficaz. Em breve, tecnologias inovadoras poderão potencialmente curar doenças como a hemofilia através da terapia de genes. O crescente conhecimento do genoma humano, o advento dos medicamentos biológicos, a digitalização dos cuidados de saúde, o avanço nas ciências dos materiais e o big data são algumas das tecnologias que contribuíram para que as áreas médica e farmacêutica avançassem mais rapidamente em prol da saúde humana nas últimas décadas. Os pacientes também terão possibilidade de monitorar a própria saúde usando aplicativos móveis e registros de saúde eletrônicos. (RUIZ, 2017).

A indústria dos dispositivos vestíveis, como monitores de atividade física e cardíaca, cresce aceleradamente e deve alcançar US$ 53,2 bilhões em 2019, segundo a Juniper Research (2017). Para os anos seguintes, a disseminação destes equipamentos promete aumentar exponencialmente a quantidade de dados de saúde gerados no mundo. Alguns especialistas projetam que a partir de 2020 a quantidade desses dados duplicará a cada 73 dias, e um ser humano comum produzirá algo em torno de 1 milhão de GigaBytes de dados de saúde ao longo de sua vida (MESKÓ, 2015). Existem wearables especializados em monitorar sinais fisiológicos, como pulso cardíaco, resposta galvânica da pele, frequência respiratória e até mesmo ondas cerebrais, acompanhando o estado do usuário por longos períodos de tempo, incluindo o sono. A expectativa com estas tecnologias é que em breve profissionais de saúde sejam capazes de fornecer diagnósticos mais precisos e personalizados a partir do conhecimento do histórico de cada indivíduo, além de permitir que doenças sejam diagnosticadas em estágios muito mais precoces. Em um futuro um pouco mais distante, os dados individuais serão analisados por inteligências artificiais, trabalhando conjuntamente aos profissionais de saúde em intervenções e diagnósticos ainda melhores.

Nesse contexto, o cuidado com a segurança no ambiente de trabalho agora virá com um certo grau de individualização, graças aos métodos mais precisos de tomada de decisão computadorizados. A crescente sofisticação de computadores e softwares permite que a tecnologia da informação desempenhe um papel vital na redução de risco, por meio da racionalização de cuidados, captura e correção de erros, auxiliando a tomada de decisões, e fornecendo feedback sobre o desempenho (BATES; GAWANDE, 2003).

Na segurança do trabalho, as principais classes de estratégias para prevenir erros e eventos adversos incluem ferramentas que podem melhorar a comunicação e tornar o conhecimento mais acessível. Essas ferramentas disponibilizam informações importantes, ajudam nos cálculos, realizam verificações em tempo real, auxiliam no monitoramento e fornecem apoio à decisão (BATES; GAWANDE, 2003). Neste sentido, os autores Gonçalves e Grilo (2010) propõem uma abordagem sistêmica para uma “nuvem de serviços” que permitirá um acesso universal aos modelos de construção da informação, por qualquer sistema, aplicação ou usuário que estejam conectados à web.

Sistemas avançados de segurança do trabalho começam a basear-se em padrões comportamentais (por exemplo sistemas capazes de antecipar os comportamentos e suas consequências) e sistemas capazes de cobrir corretamente barreiras organizacionais (ou seja, deficiências do sistema de gerenciamento) que inibem a ocorrência de atos seguros e, portanto, podem provocar acidentes (WACHTER; YORIO, 2014). Na construção civil, por exemplo, vem sendo introduzido um modelo de informação de construção, em inglês Building Information Modeling (BIM). Com ele, é possível fazer com que todas as partes interessadas recuperem e gerem informações do mesmo modelo, fazendo com que funcionem de forma coesa (ČUŠ; PODBREZNIK; REBOLJ, 2010). O sistema otimiza o desempenho numa obra, já que em condições de mudança contínua, as regras de tomada de decisão para avaliar se um componente individual é considerado de boa qualidade, ou se um local de construção é seguro, também variam conforme a construção progride (DING; ZHOU; AKINCI, 2014).

Neste contexto de maior relacionamento e concorrência mais intensa, uma estratégia da indústria 4.0 será a cocriação e a customização dos produtos para aprofundar o relacionamento com clientes. A integração digital com o cliente e novas oportunidades tecnológicas que aproximam o processo de produção, como a impressão 3D, permitirão uma maior adequação e personalização dos produtos (GEISSBAUER; VEDSO; SCHRAUF, 2016b). Para os clientes haverá um maior empoderamento, já que eles estarão no centro da cadeia de valor dos serviços. Os produtos, sistemas e serviços irão aumentar a customização de acordo com as necessidades dos clientes. Neste sentido, a quarta grande revolução também representa uma nova maneira de fazer negócios. Essas mudanças irão transcender as fronteiras das empresas e, provavelmente, ampliarão os mercados consumidores e os países onde são feitos os negócios (GEISSBAUER; VEDSO; SCHRAUF, 2016a).  

Diante dos efeitos produzidos pela 4ª revolução indústria e a produção de paradigmas é que o Centro de Inovação do SESI em Tecnologias para Saúde desenvolve soluções inovadoras, as quais podem ser encontradas na Plataforma Nacional de Soluções SESI: http://inovacaosesi.org.br/?category=8&name= ou cadastrar um novo desafio pelo link: http://inovacaosesi.org.br/apoio-sesi/.

Autores:

Viviane Coelho Lourenço

Rodrigo Bastos Fernandes

Juliana Vieira Shmidt Teixeira

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