Fatores de influência em segurança e saúde do trabalho na produtividade do trabalhador da indústria

As empresas brasileiras, na busca pela sustentabilidade, têm revisto suas estratégias de forma a aumentar vantagens competitivas junto aos seus concorrentes, num cenário onde a melhora de seus indicadores de produtividade possa colaborar para a melhoria dos níveis de incremento da indústria nacional (OLIVEIRA et al., 2011; ARBIX DE NEGRI, 2005).

Há, portanto, necessidade de a indústria construir vantagens comparativas. Para isso, é preciso desenvolver nos setores industriais um modelo integrado e sistêmico destinado a determinar a produtividade nas organizações (KING et al, 2012).

Nesse contexto, encontra-se a competitividade relacionada à escolha dos consumidores de uma determinada empresa frente a seus concorrentes (sua capacidade deve se igualar a eles ou superá-los). As empresas dispõem de mecanismos para alcançar a preferência do consumidor como: preço e diferenciação de seu produto por meio de qualidade, inovação ou propaganda (CNI, 2013).

A indústria brasileira passa por dificuldades para se manter competitiva no atual cenário de acirramento de mercados. A incerteza econômica fragiliza os parques industriais do país frente a países mais desenvolvidos, logo, trabalhadores com alta produtividade, são recursos importantes na melhoria do cenário industrial brasileiro.

Neste artigo, o termo produtividade se relaciona a trabalhadores saudáveis que, num ambiente organizacional seguro, elevam suas condições de trabalho, com reflexos na melhoria da produtividade e geração de valor.

Impactos relativos a produtividade e o ambiente interno e externo podem ser simultaneamente avaliados, e compensações podem ser identificadas.

A produtividade tem sido, também, qualitativamente associada com melhorias da satisfação do trabalhador relacionadas ao ambiente interno, logo, são medidas de satisfação que contribuem como feedback sobre percepções de desempenho da construção focando aspectos de conforto e de satisfação interior.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2003) estabeleceu classificações em função da competitividade (com base nas classificações do Lausanne Institute for Management Development), com relações a Segurança e Saúde do Trabalho (SST), e verificou que os países mais competitivos apresentaram avaliações mais elevadas em matéria de SST.

Para a indústria, os afastamentos de trabalhadores relacionados a problemas de saúde, bem como acidentes de trabalho, se refletem na perda de produtividade do trabalhador, horas extras para outros empregados, redução da produtividade total dos empregados, custos incorridos para garantir ajuda temporária, e possível perda de negócios ou atraso em entregas planejadas.

Nesse contexto, as indústrias cumprem requisitos legais, conhecidos como Normas Regulamentadoras (NRs), relacionados ao cumprimento de requisitos legais nas áreas de segurança e saúde do trabalho, e é de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Essas normas têm por objetivo prover às empresas gestão adequada a fim de prevenir acidentes e doenças do trabalho, bem como subsidiar os procedimentos de SST com métodos regulamentados. O objetivo é garantir a redução de acidentes e consequente afastamento do trabalhador em relação ao seu posto de trabalho.

A OIT (2013) relata que acidentes e doenças empobrece trabalhadores e suas famílias, e a economia perde trabalhadores produtivos. Estima-se que os acidentes de trabalho e as doenças profissionais resultem numa perda anual de 4 % no Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Nesse ambiente, onde se persegue a redução do número de acidentes de trabalho, dos prejuízos financeiros, da perda da mão de obra economicamente ativa e a minimização dos custos da produtividade, que demandam ações articuladas entre os atores envolvidos, e ainda onde se buscam melhorias para a segurança e saúde do trabalhador, se insere o Centro de Inovação SESI em Economia para Saúde e Segurança. As suas soluções têm a missão de compreender o impacto dos acidentes e doenças nos custos, e assim, direcionar a empresa na elevação da produtividade do trabalhador e aumento da competitividade da indústria.

Logo, é necessário entender o problema de segurança e saúde do trabalho na indústria, identificar os fatores de influência relacionados à SST que impactam na produtividade do trabalhador. Portanto, tomando-se como ponto de partida os aspectos relevantes apresentados, bem como a ausência de estudos similares realizados no Brasil, julgou-se pertinente a identificação de tais fatores.

Para a estruturação do problema de produtividade do trabalho, utilizou-se a análise de documentos relacionados à problemática, visando identificar os fatores de influência de SST na produtividade do trabalhador.

Fatores de Influência de SST na produtividade do trabalhador da indústria

Investigou-se o problema apresentado a fornecer alicerce para gerar alternativas estratégicas na busca da solução. Para a construção do modelo foram realizadas análise dos documentos e estruturação do problema. Em seguida aplicação de ferramenta e observação dos fatores, validados por especialistas em SST.

Foram identificadas as seguintes situações: afastamentos causados por acidentes no ambiente de trabalho; afastamentos dos trabalhadores dos seus postos de trabalho, ocasionados por doenças relacionadas ou não ao trabalho; e afastamentos ocorridos por problemas de lesões, traumatismos de punho, mão, joelho, perna, ombro, entre outros, que podem ou não ser explicadas por falhas no processo de produção.

Observou-se também que os acidentes relacionados ao trabalho, na sua maioria, são acidentes típicos, ou de trajeto que ocorrem no deslocamento trabalho-casa e casa-trabalho e geram afastamentos superiores ou inferiores a 15 dias, e podem ser explicados ou não por gargalos/falhas existentes no modelo produtivo ou gestão. Visualiza-se aí a necessidade de a indústria investir em modelo de gestão de SST no intuito de identificar as causas de afastamentos e, portanto, gerenciá-los para sua minimização. Cabe ressaltar que os acidentes de trajeto se relacionam a variáveis externas ao ambiente de trabalho, logo, é uma decisão da empresa investigar ou não as ocorrências.

Os afastamentos dos postos de trabalho, constituem na sua maioria ausências geradas por uso de álcool e drogas, ausências geradas por estresse, bem como ausências por doenças do sistema osteomuscular, tecidos e artroses, e faltas por doenças crônicas não transmissíveis. Tais afastamentos podem ser explicados pela necessidade de revisão do modelo de gestão de SST no intuito de identificar as causas geradoras, as quais podem ou não estar relacionadas ao modelo produtivo, revelando a necessidade de investimentos em modelo de gestão de SST para conhecimento das causas de afastamento

Por fim, a necessidade de revisão do modelo de gestão de SST bem como dos investimentos em soluções efetivas na temática carecem de estruturação por parte da indústria e de oferta de soluções que contribuam para a redução dos afastamentos do trabalhador e, assim, estimulem os empresários a investir em modelos de gestão de SST.

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Referências

AESST – AGÊNCIA EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO. Facts 76 (PT) – Economia Nacional e Segurança e Saúde no Trabalho. Belgium, 2008. Disponível em: <https://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/76>. Acesso em: 02 Mai. 2016.

ARBIX, G.; DE NEGRI, J. A. A nova competitividade da indústria e o novo empresariado: uma hipótese de trabalho. São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 2, p. 21-30, 2005.

CNI. Competitividade Brasil 2013. p. 108, 2013.

KING, N. C. DE O.; LIMA, E. P. DE; COSTA, S. E. G. DA. Produtividade sistêmica : conceitos e aplicações. 2012.

MPS – MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Anuário Estatístico da Previdência Social – AEPS. Brasília, DF: MPS/DATAPREV, 2012.

OIT – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT pede ação mundial urgente para combater doenças relacionadas com o trabalho. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/content/oit-pede-acao-mundial-urgente-para-combater-doencas-relacionadas-com-o-trabalho>. Acesso em: 07 Setembro 2016.

OLIVEIRA, J. A. DE et al. Um estudo sobre a utilização de sistemas, programas e ferramentas da qualidade em empresas do interior de São Paulo. Produção, v. 21, n. 4, p. 708–723, 2011.

SUHRCKE, M. et al. The contribution of health to the economy in the European Union. Luxembourg: European Communities, 2005.

 

Autor: Fabio Henrique Cordeiro, Centro de Inovação SESI em Economia para saúde e segurança

 

 

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