SESI inova para aumentar a produtividade da indústria

O fenômeno da incapacidade para o trabalho ganhou atenção nos países industrializados por sua tendência de crescimento e alto custo para a sociedade, empresas e indivíduos. No Brasil, um elevado e crescente número de anos de vida com incapacidade alcançou quase 11 mil por 100 mil pessoas em 2016 (figura 1). Vale destacar que cerca de 2,5 milhões de benefícios por incapacidade temporária e 250 mil por incapacidade permanente são concedidos anualmente para os trabalhadores que passaram a apresentar limitações físicas ou psíquicas, que os impediram de continuar a atividade laboral por motivo de doença ou de acidente, relacionados ou não ao trabalho.

Para a empresa, a incapacidade para o trabalho representa custos crescentes com seguro acidente de trabalho (SAT), ações regressivas e judiciais, dias de trabalho perdidos, presenteísmo, reposição de trabalhadores, aumento da sinistralidade dos planos de saúde, entre outros. Para o indivíduo, é um desafio e tende impactar na vida familiar, levar a perda de renda, baixa autoestima, desvalorização social, além de dependência de assistência médica e de seguridade social.

Para a redução desse fenômeno, uma nova forma de pensar a incapacidade tem influenciado estratégias internacionais bem-sucedidas. Essa nova perspectiva parte do entendimento que os determinantes da incapacidade não estão relacionados apenas às condições de saúde (doenças, traumas, lesões, distúrbios), mas também se associam a fatores de ordem pessoal (aspectos físicos, cognitivos, afetivos e de relações sociais) e do ambiente social. Assim, para a redução da incapacidade para o trabalho, são necessárias práticas de promoção da saúde e prevenção de acidentes e doenças articuladas com a identificação e intervenção nas barreiras pessoais e nas existentes nos sistemas de saúde, de trabalho e de concessão de benefícios sociais.

Recentemente, o SESI inova e propõe para a indústria um conjunto de práticas com evidencias de efetividade, organizadas em soluções para a gestão dos afastamentos e prevenção da incapacidade vinculadas a plataforma SESI VIVA +:

  • Gestão: avaliação inicial da empresa para identificação de necessidades e demandas; inteligência na coleta, registro, armazenamento e produção de informação e conhecimento com resultados na redução do risco de afastamentos e recidivas; gestão de aspectos legais: eSocial, nexos previdenciários e FAP; identificação de preditores da incapacidade para o trabalho na indústria brasileira.
  • Prevenção primária: novas práticas nos sistemas de trabalho de equipes de RH, de saúde e supervisores; práticas de auto-gestão do cuidado para prevenção da incapacidade.
  • Prevenção secundária: novas ferramentas para a detecção e intervenção precoce na incapacidade para o trabalho.
  • Prevenção terciária: novas ferramentas para o manejo de casos complexos para o retorno e permanência no trabalho.

As tecnologias desenvolvidas pelo Centro de Inovação SESI (CIS) em Prevenção da Incapacidade em parceria com o Finish Institute of Occupational Health (FIOH) foram testadas em empresas industriais no Brasil no período de 2016 e 2017. Em 2018, 16 Departamentos Regionais do SESI espalhados no Brasil já estão habilitados ou em processo de capacitação para assessorar empresas com problemas nesse tema. Mais de 50 empresas já implementaram pelo menos uma das novas práticas propostas pelo SESI.

Este CIS desenvolve soluções inovadoras, as quais podem ser encontradas na Plataforma Nacional de Soluções SESI: http://inovacaosesi.org.br/?category=4&name= ou cadastrar um desafio pelo link: http://inovacaosesi.org.br/apoio-sesi/.

 

Autora: Drª. Lívia Aragão – Coordenadora de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Centro de Inovação SESI Prevenção da Incapacidade.

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