BIM e a SST em Canteiros de Obra

Segundo a Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e do Trabalho (1991) aproximadamente 60% dos acidentes fatais na construção surgiram a partir de decisões tomadas a montante da fase de construção, especificamente, devido a deficiências na concepção do projeto e organização do trabalho. Portanto, acidentes de trabalho poderiam ser evitados se a segurança do trabalho fosse considerada na fase de projeto da obra.

De acordo com que Saurin (2005) e Behm (2008), os projetistas não possuem conhecimento suficiente sobre SST que possibilite a eles mesmos já considerarem os requisitos de SST no momento em que as decisões sobre o projeto da obra são tomadas. Deste modo, assume-se que outro interveniente deve atuar em colaboração com os projetistas realizando intervenções.

Desenvolver o projeto de forma que esse ofereça segurança ao usuário é o objetivo do Design for Safety – DFS (ASSE,1994). O DFS faz parte das técnicas DFX (Design for eXcellence) que auxiliam o time de projeto a integrar os requisitos das fases de desenvolvimento do produto na fase de seu projeto conceitual (HUANG, 1996). No qual X representa qualquer uma ênfase como: qualidade, manufatura, produção, montagem, desmontagem, segurança, meio ambiente, dentre outras. O conceito DFX se aplica a todos os envolvidos no ciclo de vida do produto, e vai ao encontro do objetivo DIP (Desenvolvimento Integrado do Produto), que busca a redução do tempo do PDP (Processo de Desenvolvimento do Produto) através da integração das equipes de trabalho, permitindo o paralelismo organizado entre as etapas do PDP.

O uso do BIM – Building Information Modeling pode operacionalizar o Design for Safety. O processo de projeto em BIM permite que a equipe visualize o projeto dentro do ambiente virtual em cada estágio de desenvolvimento, integrando o trabalho de cada colaborador ao modelo e aprimorando a comunicação entre os diferentes interessados, como equipe de projeto, engenheiros, subcontratados, operadores e outros que contribuem para o processo de planejamento.

Em particular, o uso de BIM facilita a identificação antecipada dos perigos relacionados os futuros processos construtivos, permitindo que os projetistas eliminem ou reduzam os riscos antes do início do trabalho. Onde não é possível remover os perigos, os trabalhadores podem ser preparados com antecedência e os controles apropriados implementados.

O Centro de Inovação SESI – Sistema de Gestão de SST iniciou pesquisa para o desenvolvimento de solução que apoie a indústria da construção no gerenciamento de riscos por meio do uso da tecnologia BIM. Para o momento foram identificadas algumas possibilidades, sendo: (a) o desenvolvimento de uma plataforma integrada ao modelo BIM que receba o modelo parametrizado em 3D da edificação, e a partir de regras lógicas, identifique perigos automaticamente e recomende sugestões de medidas de controle dos riscos ; (b) desenvolvimento de plataforma para experiência imersiva de treinamento por meio de realidade virtual, realidade aumentada e/ou gamificação integrada ao modelo BIM da edificação; (c) plataforma para análise de planejamento (4D) e custos (5D) tendo parâmetros de SST associados aos objetos BIM.

Baixe o livro  “Segurança e Saúde na Indústria da Construção: Prevenção e Inovação”, parceria SESI e CBIC e fique por dentro da tecnologia BIM.

Conheça as soluções dos Centros de Inovação SESI (CIS), por meio da Plataforma Nacional de Soluções Inovadoras do SESI: http://inovacaosesi.org.br/e cadastre desafios em SST.

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