Prevenção da Incapacidade: Centro de Inovação do SESI busca soluções para reduzir os afastamentos do trabalho

A empresa baiana de tratamento de efluentes Cetrel enfrentou há cerca de um ano o processo de retorno de uma trabalhadora que estava há nove anos afastada em virtude de um acidente. A experiência é inusitada porque é muito raro trabalhadores afastados por longos períodos voltarem ao ambiente laboral e, quando isso ocorre, as chances de o trabalhador voltar a se afastar é quase certa.

A experiência só foi bem-sucedida porque houve envolvimento efetivo das áreas de segurança e saúde e recursos humanos com o setor escolhido para reinserir a profissional. Todo esse processo foi acompanhado de perto pelo Centro de Inovação em Prevenção da Incapacidade, localizado em Salvador (BA). Veja os detalhes no vídeo a seguir:

Nos últimos anos, as unidades da indústria têxtil Coteminas em João Pessoa e Campina Grande vinham enfrentando um desafio: encontrar uma forma de administrar os frequentes afastamentos por motivos não médicos (faltas não justificadas mediante apresentação de atestado médico). O objetivo era, sobretudo, melhorar a comunicação entre médico, trabalhador e o departamento de recursos humanos, possibilitando avaliações mais precisas.

O primeiro passo foi dado por meio do Workshop de Inovação para Empresas, promovido pelo Centro de Inovação SESI em Prevenção da Incapacidade, que explora o cenário da incapacidade para o trabalho a nível mundial e local. “Na rotina da área corporativa, nem sempre temos oportunidade de discutir algumas questões. A iniciativa nos permitiu parar para encontrar soluções efetivas”, afirma Fernando Gondim, gerente de administração e recursos humanos da Coteminas na Paraíba.

A partir daí, a empresa decidiu colocar em prática as lições aprendidas. Esse processo começou, em julho do ano passado e, quatro meses depois, o diretor da empresa, Magno Rossi, recebeu um detalhado relatório em que eram identificados os motivos e os caminhos para enfrentamento do problema. O documento foi resultado de um trabalho realizado pelo Centro de Inovação Prevenção da Incapacidade em parceria com o Centro de Inovação em Fatores Psicossociais, localizado no Rio Grande do Sul.

Motivos e Soluções – O trabalho foi realizado em duas etapas, entre julho e setembro, e consistiu na aplicação de questionários aos trabalhadores da empresa, abordando informações sociodemográficas, aspectos funcionais, questões específicas sobre faltas ao trabalho e clima organizacional. Também foram realizados grupos focais, entrevistas individuais e observação dos funcionários. O objetivo principal, nessa fase, foi coletar a maior quantidade possível de percepções e relatos dos trabalhadores sobre as ausências do trabalho.

Na etapa posterior, de avaliação do material recolhido, a equipe formada por técnicos dos dois Centros de Inovação constatou que o absenteísmo na Coteminas era determinado por vários fatores relacionados a riscos psicossociais. Entre eles, ausência de um suporte social eficaz, como saúde e educação pública de qualidade nas regiões onde moram os funcionários, e problemas de ordem pessoal que afetam a rotina.

O relatório elaborado a partir desse levantamento apontou à empresa a necessidade de investimentos em ações de promoção da qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias, buscando apoio do poder público, para melhorar a oferta de serviços nas áreas de saúde, educação, transporte, lazer, entre outras. “Temos várias ações voltadas a saúde e segurança dos trabalhadores, mas novas soluções nunca são demais”, diz Gondim.

Escassez de informações – A questão de como administrar os afastamentos de forma a minimizar custos e prejuízos à produtividade tem sido alvo de estudos no Departamento Regional do SESI na Bahia desde 2011. O foco no tema levou à criação do Centro de Inovação SESI Prevenção da Incapacidade, que tem sede em Salvador e trabalha em articulação com os outros oito integrantes da rede de Centros de Inovação do SESI, voltados à pesquisa aplicada e soluções inovadoras em saúde e segurança do trabalho.

As lesões e traumas, os distúrbios musculoesqueléticos e os transtornos mentais (que se enquadram nos fatores psicossociais) são, nessa ordem, as três principais causas de concessão de benefícios para afastamentos por mais de 15 dias na indústria brasileira. Esses problemas de saúde não são necessariamente provocados pelo trabalho, mas favorecem o afastamento, dificultam o retorno e a permanência do trabalhador na vida produtiva.

O objetivo do Centro de Inovação em Prevenção da Incapacidade é utilizar a pesquisa aplicada e desenvolver soluções para a redução de novos casos, duração e recidivas de afastamentos na indústria, de forma a evitar a baixa produtividade e os custos elevados.

“No Brasil, ainda existe uma grande escassez de dados, informações e conhecimento sobre a magnitude e os custos da incapacidade para o trabalho em todo o país. Mas estes novos movimentos promovidos pelo Centro e parceiros têm levantado debates sobre a temática”, afirma a coordenadora do centro, Lívia Aragão.

 A ausência de práticas sistemáticas de gestão dos afastamentos e retorno ao trabalho em empresas brasileiras levou o Centro de Inovação SESI Prevenção da Incapacidade a desenvolver, em 2016, uma capacitação básica no tema, voltada a gestores de recursos humanos, supervisores, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde. O projeto piloto foi realizado em parceria com o Finnish Institute of Occupational Health (FIOH) e dez indústrias baianas.
Novo paradigma – A capacitação básica em Prevenção da Incapacidade tem objetivo de apresentar a esses profissionais uma nova forma de se pensar a questão, ampliando o olhar para novas práticas dentro da empresa. “Ela se alinha com um novo paradigma em prevenção da incapacidade (já presente em países europeus e da América do Norte), que aponta para novas soluções em detecção precoce e gestão dos afastamentos”, explica Lívia Aragão.

Essa nova abordagem baseia-se no entendimento de que a incapacidade para o trabalho não é determinada só pelo distúrbio especificamente. Também conta o contexto social no qual o indivíduo está inserido. Assim, o trabalhador com incapacidade é visto como parte de uma rede de interações dinâmicas que envolve aspectos pessoais e o ambiente.

E os especialistas do Centro de Inovação SESI Prevenção da Incapacidade têm se empenhado em disseminar esse conhecimento, com frequentes participações em simpósios, congressos, workshops e outros eventos em que a prevenção da incapacidade laboral esteja em pauta. São exemplo o 2° Encontro Iberoamericano da Saúde do Trabalhador, em Curitiba (PR), e o 10º Congresso de Reabilitação Profissional, em Campinas (SP).

Onde fica: Salvador (BA)

O que faz: Cria soluções para reduzir o absenteísmo aumentar a taxa de retorno ao trabalho, diminuindo custos com afastamentos e aumentando a produtividade das empresas.

Instituições parceiras: Finnish Institute of Occupational Health (FIOH)

Principais soluções:
Gestão: avaliação inicial da empresa para identificação de necessidades e demandas; inteligência na coleta de dados, registro, armazenamento e produção de informação e conhecimento com resultados na redução do risco de afastamentos e recidivas; gestão de aspectos legais – eSocial, nexos previdenciários e Fator Acidentário de Proteção (FAP); identificação de preditores da incapacidade para o trabalho na indústria brasileira.

Prevenção primária: novas práticas nos sistemas de trabalho de equipes de Recursos Humanos, de saúde e supervisores; práticas de auto-gestão do cuidado para prevenção da incapacidade.

Prevenção secundária: novas ferramentas para a detecção e intervenção precoce na incapacidade para o trabalho.

Prevenção terciária: novas ferramentas para o manejo de casos complexos para o retorno e permanência no trabalho.

 

Conheça as soluções dos Centros de Inovação SESI (CIS), por meio da Plataforma Nacional de Soluções Inovadoras do SESI: http://inovacaosesi.org.br/ e cadastre desafios.

Fonte: CNI

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