O que será do trabalho na indústria do futuro?

 “O futuro não é mais como era antigamente”

Você já parou para pensar que há 100, 200 anos atrás, quando as pessoas imaginavam como seriam os anos 2000, esta projeção era bem diferente do que é hoje, ou do que foi nos anos 2000? Se formos pesquisar por artistas e futuristas das décadas de 1890 e 1900, como é o caso do ilustrador francês Jean-Marc Cotê, entre outros artistas que projetaram em seus trabalhos como seria a sociedade do futuro, vemos que a ideia que eles tinham na época é bem distante da nossa realidade.

Ao longo da história, as tecnologias impulsionaram e foram impulsionadas pelas ambições humanas, sendo promotoras de mudanças na maneira como as sociedades se organizaram, na forma como os seres humanos interagiam com o mundo e como se relacionavam com os seus pares. Contemporaneamente, uma nova revolução se apresenta e deveremos vivenciar, em breve, mudanças significativas que impactarão em todas as esferas de nossa sociedade, principalmente na forma como o trabalho é gerido e produzido.

Mesmo que, no século passado, ao pensar em futuro, trabalho e inovação sempre venham a mente imagens relacionados a invenções robóticas e transportes voadores, invenções essas que já são parte do nosso dia a dia, algumas ideias de futuro que presenciamos em filmes e relatos históricos hoje nos parecem impossíveis ou até mesmo esdrúxulas. Entretanto, é possível traçar um paralelo entre a imaginação do homem e os conhecimentos obtidos através da história para saber onde podemos chegar em termos de tecnologia de inovação e trabalho do futuro. 

Entendendo melhor as mudanças no modo de trabalho: as revoluções industriais

1ª Revolução Industrial

A primeira revolução industrial ocorreu no final do século XVIII pela descoberta da energia a vapor. Antes dessa descoberta, a maioria da população vivia no campo e dependia da agricultura e do trabalho artesanal. Com a primeira revolução industrial, o trabalho artesanal foi substituído pelo trabalho assalariado. 

2ª Revolução Industrial

Na segunda metade do século XIX, ocorreu a segunda revolução industrial, marcada pela invenção da energia elétrica. Além dessa importante descoberta, este período foi marcado pelo emprego do aço e pela utilização dos combustíveis derivados do petróleo. Outras invenções que revolucionaram a época foram a explosão, a locomotiva a vapor e o desenvolvimento de produtos químicos.

Neste cenário de descobertas e transformações laborais, o engenheiro americano Frederick Taylor escreveu a obra “Princípios da Administração Científica”, onde defendeu níveis elevados de especialização e padronização como meios de aumentar a produtividade das empresas. Como resultado, surgiram as primeiras linhas de montagem que refletiram em excesso de especialização. Essa, por sua vez, afetou negativamente os trabalhadores por induzi-los as a permanecerem horas a fio executando a mesma atividade. 

3ª Revolução Industrial

No princípio dos anos 90 ocorreu uma nova e silenciosa revolução: o mundo digital entrou em cena trazendo consigo a utilização de novas fontes de energia, automação, sistemas de TI, ampliação do consumo de computadores individuais e expansão da telefonia celular. As pessoas tornaram-se mais autônomas e criaram formas de adquirir, vender, trocar mercadorias e contratar serviços, já que passaram a possuir mais acesso a informações em tempo real por meio de mídias diversas e não convencionais. 

Onde chegamos: 4ª Revolução Industrial

A quarta revolução oportuniza robôs e trabalhadores estarem mais perto do que nunca, sendo que os trabalhadores humanos usarão suas habilidades únicas e criativas para inovar, colaborar e se adaptar a novas situações.  A distância entre homem e máquina se torna cada vez mais tênue, ao passo que o aprimoramento direto permite que os trabalhadores usem exoesqueletos robóticos para aumentar sua força e diminuir sua possibilidade de lesões. 

As inovações tecnológicas mudam rapidamente a fronteira entre as tarefas de trabalho realizadas por seres humanos e aquelas realizadas por máquinas e algoritmos de programação, e os mercados de trabalho globais estão passando por grandes e rápidas transformações. O principal objetivo dessas atividades são os chamados sistemas Cyber Físicos, constituídos por máquinas, veículos e peças de trabalho, equipados com tecnologia de sensores, microprocessadores ou sistemas telemáticos completos. 

Esses sistemas são caracterizados por coletar dados de si mesmos e de seu ambiente, processar e avaliar esses dados, conectar e se comunicar com outros sistemas e assim, iniciar novas ações. Essa rede de dispositivos de acesso, pessoas e sistemas de informação está nos preparando para a “internet das coisas”, caracterizada pelo aumento da interconectividade.

 O que projetamos para amanhã: 

Através da análise do nível de automação que a tecnologia agrega ao mercado de trabalho e como a economia se adapta a essas mudanças podemos projetar 3 cenários: 

Cenário 1- Positivo: A revolução da tecnologia é muito menor que o esperado e não altera a natureza do trabalho. A economia não precisa se adaptar e os empregos são similares aos atuais. Nesse cenário, há poucas razões para preocupação e os governos podem continuar operando normalmente.

Cenário 2- Neutro: Apesar da onda de automação que a tecnologia traz, a economia é capaz de mudar e se adaptar, permitindo a criação de novos empregos para substituir os perdidos. A transição pode causar algum estrago inicial no mercado de trabalho, mas depois de um período de inquietação, a estabilidade irá acontecer.

Cenário 3- Negativo: A revolução da tecnologia resulta em perda rápida de empregos, já que a economia, os governos e os indivíduos são incapazes de acompanhar. Com a economia incapaz de se ajustar, há um esvaziamento de empregos resultando em desemprego tecnológico em massa e instabilidade social.

Desafios e Oportunidades que o futuro poderá nos proporcionar

Transformação digital é o que acontece com as organizações quando adotam formas inovadoras de fazer negócios, com base em avanços tecnológicos. É o processo de mudar fundamentalmente uma tarefa com a adoção de ferramentas digitais, tecnologias modernas e, possivelmente, mudanças culturais para aprimorar ou substituir o que existia anteriormente.

Empresas conectadas podem significar a criação de dados, enquanto o casamento de mundos físico e digital pode obrigar os trabalhadores a realizarem tarefas complexas, variáveis e muitas vezes imprevisíveis, que exigem a capacidade de acessar e entender esses dados. As tecnologias digitais e físicas inteligentes podem ser usadas como ferramentas para aprimorar os trabalhos dos funcionários e facilitar as tarefas executadas. 

As contribuições digitais podem até aumentar para uma parceria mais ampla, onde tecnologias autônomas trabalham ao lado das pessoas e seus pontos fortes inerentes, para alcançar um resultado maior do que qualquer um poderia realizar sozinho. As máquinas também podem dar origem a papéis totalmente novos, assim como permitem a criação ou aprimoramento de novos produtos e serviços

À medida que as tecnologias exponenciais convergem e se fortalecem mutuamente, elas trazem abundância a todos os setores e, da mesma maneira, abalam os mesmos de alguma forma.  Para que as empresas cresçam e aproveitem as novas oportunidades, precisarão estimular o desenvolvimento de talentos e pensar a força de trabalho de maneira estratégica. 

 A partir deste momento histórico, as empresas não podem mais ser consumidoras passivas de capital humano pré-fabricado. Embora a mudança iminente seja uma grande promessa, os padrões de consumo, produção e emprego criados representam grandes desafios que exigem adaptação pró-ativa, tanto por parte das corporações quanto dos governos e indivíduos.

Resiliência e adaptabilidade: o maior desafio do trabalhador de hoje para o mundo de amanhã. 

A tecnologia na forma de máquinas, robôs ou assistentes digitais compete com humanos por tarefas. Cada vez menos trabalhadores com habilidades intermediárias são necessários para executar tarefas de complexidade intermediária, e esses trabalhadores competem com trabalhadores pouco qualificados e altamente qualificados para tarefas de baixa e alta complexidade. Os empregos de nível intermediário, além de escassos, correm risco de receberem salários mais baixos. De acordo com essa linha de raciocínio, a tecnologia levou a um esvaziamento da classe média e criou um fenômeno chamado polarização.

Embora o aumento da interação e colaboração entre trabalhadores e máquinas seja a base da Indústria 4.0, isso não significa simplesmente mais interfaces de controle homem-máquina, mas novas maneiras de compartilhar tarefas para concluir operações complexas mais rapidamente. A aquisição de tais habilidades pode ser complicada para uma força de trabalho envelhecida que não tenha, ao mínimo, um treinamento escolar básico. Por esse motivo, os trabalhadores terão que ser mais motivados e abertos à mudança, terão que ser mais flexíveis para colaborar de forma mais eficaz e terão que incorporar a educação e o aprendizado como parte de suas funções de trabalho.

No entanto, a tecnologia também pode ter sido utilizada para substituir trabalhadores de baixa complexidade. Nesse caso, o emprego em cargos altamente remunerados cresce mais forte e os empregos mal pagos desaparecem, um fenômeno chamado de atualização educacional. A estrutura identifica os principais impulsionadores dos efeitos de emprego da tecnologia, mas somente a análise empírica pode determinar qual dos dois cenários, polarização ou atualização, é o mais relevante.

Um relatório de 2018 do Fórum Econômico Mundial afirma que, com o avanço da robótica, 75 milhões de empregos serão extintos, seguido pela criação de 133 milhões de empregos que ainda não existem. Já a pesquisa Tech is Human aponta para uma colaboração entre robôs e humanos para um futuro híbrido e mais eficiente. 

A quarta revolução industrial veio agregar e integrar a tecnologia digital a sistemas conhecidos, executados anteriormente por trabalhadores tradicionais, para sistemas comunicados, em tempo real, através de algoritmos de programação e máquinas que executam ou auxiliam no trabalho humano.  Por meio das inovações trazidas pela utilização de novos materiais de tamanhos cada vez menores como os nanomateriais, da aproximação da realidade virtual com a realidade real e da criação de mecanismos inteligentes que aproximam os homens das máquinas, o trabalhador 4.0 ganhou superpoderes que o permitem ficar mais forte, mais inteligente e mais preciso na execução de suas tarefas. 

Estes fatores tornaram o ambiente de trabalho mais produtivo, seguro e saudável para o trabalhador, pois o trabalho passa a ser executado com mais eficiência e exatidão, diminuindo, assim, as incidências de acidentes e lesões provocadas pelas atividades de trabalhoEntretanto, para que essa interação homem-máquina ocorra de maneira harmoniosa, os diretores industriais deverão limitar os riscos inerentes ao planejamento das fábricas, tendo em vista o treinamento dos colaboradores, do mesmo modo como os trabalhadores deverão estar motivados, capacitados e abertos à educação contínua e à mudança deste novo paradigma em relação ao mundo laboral.

Algumas previsões projetam que os avanços na automação resultarão na substituição total da força de trabalho humana, abrangendo os prazos de curto ou médio prazo, já que o trabalho atualmente realizado por seres humanos está sendo expandido pelo trabalho mecânico e algorítmico. O discurso popular contemporâneo é frequentemente fixado na tecnologia que substitui os seres humanos. Por outro lado,  a tecnologia também criará novas tarefas, abrindo oportunidades de trabalho nunca antes realizadas por trabalhadores humanos. De acordo com a revista Britânia Deloitte Insights no Reino Unido, por exemplo, a tecnologia ajudou a criar 3,5 milhões de novos empregos entre os anos de 2001 e 2015.

Para que haja a expansão dessas novas oportunidades, a colaboração entre trabalhadores e robôs é a peça chave. Neste sentido, os trabalhadores humanos serão indispensáveis para exercerem o papel de supervisores e colaboradores ao executar funções as quais os robôs não estão aptos para executar. Em um horizonte mais amplo, as atividades de criação de valor realizadas por trabalhadores humanos, muitas vezes em complemento à tecnologia, podem ser aperfeiçoadas, uma vez que os humanos estarão livres da necessidade de executar tarefas rotineiras e de baixa complexidade.

Fique por dentro deste Centro de Inovação SESI em Tecnologia para saúde, por meio do sítio eletrônico:

Acesse esta e outras soluções do CIS, por meio da Plataforma Nacional de soluções inovadoras SESI:

Conheça as soluções dos Centros de Inovação SESI (CIS), por meio da Plataforma Nacional de Soluções Inovadoras do SESI: http://inovacaosesi.org.br/ e cadastre desafios.

Autores:

Fernanda Vargas Amaral

Maira Mieko Botome

 

Bruno Pires Bastos

Luiz Antônio Ambronio Gevaerd

Luciano Caminha Junior

Referências Bibliográficas: 

BERSIN, J. The Future Of Work: It’s Already Here — And Not As Scary As You Think. Forbes, 2016. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/joshbersin/2016/09/21/the-future-of-work-its-already-here-and-not-as-scary-as-you-think/#1f66f60e4bf5.

BONINI et al. Towards the full automation of distribution centers. In: 2015 4th IEEE International Conference on Advanced Logistics and Transport, IEEE ICALT 713658: 47–52, 2015.

DELOITTE INSIGHTS. 2017 back-to-college survey Insights from both parents and students. Deloitte InsightsCopyright LLC, 2017.

LORENZ et al., 5. Man and Machine in Industry 4.0: How Will Technology Transform the Industrial Workforce Through 2025? The Boston Consulting Group, 2015.

MONIRI et al.. Human gaze and focus-ofattention in dual reality human-robotcollaboration. In: 12th International Conference on Intelligent Environments, IE 2016 7723507, 238–241, 2017.

RAMOS, R. A era digital e a economia do século XXI. Brasil de Fato, 2018. Disponível em

https://www.brasildefato.com.br/2018/09/19/artigo-or-a-era-digital-e-a-economia-do-seculo-xxi/

THOBEN et al. Industrie 4.0″ and Smart Manufacturing – A Review of Research Issues and Application Examples. International Journal of Automation Technology 11(1):4-19, 2017. 

Edvard P. G. Bruun/Alban Duka- Artificial Intelligence, Jobs and the Future of Work: Racing with the Machine,

WASCHNECK ET al., 7. Production scheduling in complex job shops from an industrie 4.0 perspective: a review and challenges in the semiconductor industry. CEUR Workshop Proceedings 1793, 2017.

WORLD ECONOMIC FORUM. Global Challenge Insight Report: The Future of Jobs Employment, Skills and Workforce Strategy for the Fourth Industrial Revolution, 2016. 

WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2018.Centre for the New Economy and Society, 2018.

 

(Visited 135 times, 1 visits today)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *