Como a saúde mental interfere no ambiente de trabalho?

As mudanças rápidas, intensas do mundo do trabalho geram novas oportunidades, mas também muitas incertezas que podem causar ansiedade e estresse. Diante de tantas situações novas e desafiadoras, você tem cuidado da sua saúde mental? Você sabe como ela interfere no seu ambiente de trabalho? 

Às vezes parece que o cérebro deu um bug de tanta coisa que fazemos ao mesmo tempo. Precisamos lidar com os compromissos da nossa vida pessoal, além dos compromissos sociais. E no trabalho? Quantas vezes pensamos que o dia poderia ter mais do que 24 horas? Ou que precisaríamos desenvolver a onipresença? Como tem sido difícil lidar com a rotina acelerada da vida diária: trânsito, segurança, relacionamentos, os desafios do trabalho e aqueles boletos que não param de chegar. 

Cada vez mais temos a sensação de estarmos cansados, ansiosos e estressados. E não é apenas uma sensação. No mundo, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% nos últimos 10 ano e mais de 275 milhões de pessoas sofrem de ansiedade. O Brasil é considerado o país mais ansioso e estressado da América Latina.

E como fica nossa saúde mental diante de tudo isso? A saúde “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. Ainda, a saúde mental é um estado de bem-estar no qual a pessoa realiza suas habilidades, consegue lidar com as tensões diárias, trabalha de forma produtiva e contribui para a sociedade. Portanto, a saúde mental é determinada por uma série de fatores, como: características individuais, econômicas e sociais, incluindo nosso contexto de trabalho. As rápidas mudanças no mundo, as condições de trabalho e o estilo de vida são alguns exemplos do que interfere na nossa saúde mental.

E como promover a saúde mental no trabalho? 

Passamos boa parte do nosso dia no trabalho e esquecemos, muitas vezes, de cuidar desse ambiente extremamente importante para nossa saúde mental. O clima de trabalho, estilo de gestão, autonomia e oportunidades de aprendizagem e de crescimento são aspectos que podem impactar positiva ou negativamente a saúde mental do trabalhador. Quando temos um clima de trabalho agradável, em que as pessoas se respeitam, têm oportunidade de crescimento e  decidir como fazer seu trabalho ou quando fazer uma pausa, por exemplo, é mais agradável ir trabalhar. 

Parece simples, mas nem todos os ambientes de trabalho são assim. 60% dos trabalhadores referem que o trabalho é a causa de se sentirem nervosos, irritados, cansados, tristes ou sem energia. Nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade e os transtornos mentais e emocionais são a 3ª causa de afastamento do trabalho

Este é o desafio do Centro de Inovação SESI em Fatores Psicossociais: apoiar as indústrias na construção de estratégias de promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis, que favoreçam a saúde mental. Como uma estratégia para isso, desenvolvemos o Gestress, um aplicativo para a gestão do estresse no ambiente de trabalho. Mas porque gerenciar e não eliminar o estresse? Porque o estresse em certo nível é bom. Precisamos de um nível de estresse em nossas vidas para nos desenvolver e nos manter atentos, motivados e produtivos. E, diferente do que muitos pensam, o estresse não é um transtorno mental. Ele é uma reação do organismo para nos defender de situações difíceis. 

A curva do estresse (Figura 1) demonstra exatamente isso. Ela fala que a performance aumenta juntamente com a excitação psicológica, mas apenas até certo ponto. Se não há estresse, ficamos entediados e não atingimos a performance desejada. Quando há estresse adequado, ficamos mais atentos, motivados e nossa performance aumenta. Mas, quando se está no limite do estresse, começamos a ter fadiga, exaustão, burnout, problemas de saúde e, consequentemente, a performance diminui. Por isso, o ideal é gerenciar o estresse

Nesse sentido, o aplicativo Gestress auxilia as pessoas a identificar o seu nível de estresse e gerenciá-lo. Num primeiro momento é realizada a avaliação de 10 traços emocionais e cognitivos, sendo divididos em traços prejudiciais (raiva, ansiedade, sensibilidade ao estresse, medo, implusos) e traços favoráveis (vontade, cautela, atenção, atitude e estabilidade). Na segunda etapa, os usuários podem participar de técnicas e exercícios práticos para fortalecer a saúde emocional e reduzir o estresse. São realizadas reavaliações periódicas e uma avaliação final para análise da evolução emocional. Além dessas funcionalidades, o aplicativo conta ainda com os recursos S.O.S. e Diário Emocional, nos quais são disponibilizadas técnicas psicológicas de acesso instantâneo para situações emocionais que necessitem solução rápida e onde o participante registra o humor do dia a dia através de um diário, com insights e feedbacks das situações e atividades associadas a emoções positivas e negativas. 

Antes de ser ofertado pelo Centro de Inovação, o Gestress foi pilotado com 200 líderes de uma indústria brasileira. Quem utilizou a solução demonstrou melhora em sua saúde mental: 19% reduziu a ansiedade, 10% melhorou o nível de saúde mental e 27% reduziu a sensibilidade ao estresse. Sendo assim, constatamos que a intervenção para o estresse através dessa solução foi um modo efetivo de fortalecer a saúde mental e a resiliência. É nisso que acreditamos, que, em um país com mais de 230 milhões de smartphones, a tecnologia deve ser usada a favor das pessoas. Podemos cuidar da nossa saúde mental a qualquer momento, em qualquer lugar; inclusive no trabalho. 

Esse é apenas um recurso, mas sozinho não é tão efetivo. É importante desenvolver outras ações no trabalho que auxiliem no gerenciamento do estresse, como o comportamento do funcionário, a reorganização do trabalho e o apoio dos colegas. O importante é que cada um reconheça a melhor forma de lidar com o estresse e os estímulos do mundo para melhorar sua saúde mental em todos os contextos. Afinal, o mundo não pára!

Quer ficar por dentro do que estamos desenvolvendo no Centro de Inovação SESI em Fatores Psicossociais?

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Autora:

Mariane Candaten – Analista Técnico 

Centro de Inovação SESI em Fatores Psicossociais

Referências Bibliográficas:

Organização Mundial da Saúde – OMS. Relatório Depressão e outros distúrbios mentais comuns: estimativas globais de saúde, 2017.

Institute for Health Metrics and Evaluation – IHME. Global Burden of Disease Study 2016 (GBD 2016) Burden by Risk 1990 – 2016, 2016. Disponível em: <http://ghdx.healthdata.org/gbd-2016>. Acesso em 10 jun. 2019.

Constituição da Organização Mundial da Saúde da Saúde, 1946. Disponível em: < http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/OMS-Organiza%C3%A7%C3%A3o-Mundial-da-Sa%C3%BAde/constituicao-da-organizacao-mundial-da-saude-omswho.html>. Acesso em 10 jun. 2019.

Sendin, Tatiana. Precisamos falar sobre estresse, 2018. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/negocios/precisamos-falar-sobre-estresse/> Acesso em: em 10 jun. 2019.

Yerkes RM, Dodson JD (1908). “The relation of strength of stimulus to rapidity of habit-formation”. Journal of Comparative Neurology and Psychology. 18 (5): 459–482. doi:10.1002/cne.920180503.

 Estadão, 2019. Brasil tem 230 milhões de smartphones em uso. Disponível em: <https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/04/brasil-tem-230-milhoes-de-smartphones-em-uso.html> Acesso em: em 10 jun. 2019.

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