Estratégias para uma longevidade produtiva

O envelhecimento populacional brasileiro, em virtude do aumento da expectativa de vida, associado a uma reduzida renovação da população, face à queda nas taxas de fertilidade, trará profundos impactos sociais, políticos e na economia. Esse fato tem como uma de suas consequências a redução e o envelhecimento da força de trabalho, o que exige refletir sobre as ações a serem implementadas visando garantir à população mais velha condições financeiras e sociais para uma vida digna e, às empresas, as equipes de que precisam para bem funcionarem. Mas, por que esta mudança de cenário provoca tanta repercussão? Qual a real necessidade de o Brasil correr contra o tempo considerando as variáveis e peculiaridades do envelhecimento de sua população?

“O futuro da longevidade não é como foi ontem. O envelhecer, hoje, é bem diferente. Em 1945, quando eu nasci, só 5% das pessoas tinham mais de 60 anos. Quando comparo aquele menino que eu fui com a minha neta, vejo um mundo muito diferente. No passado, envelhecer era um privilégio de poucos, era um desafio. No futuro, tudo vai mudar. Em 2050, 31% da população vai ter mais de 60 anos. Isso eu chamo de revolução da longevidade” (KALACHE, 2018).

Figura 1. Evolução Pirâmide Etária brasileira
Fonte: IBGE: Diretoria de Pesquisa, Coordenação de População e Indicadores Sociais

Para tirar máximo proveito da Revolução da Longevidade é essencial não só aumentar o número de anos de vida ou de expectativa de vida, mas também os anos em boa saúde. Os fatores de risco, tanto ambientais como comportamentais, precisam ser reduzidos. Simultaneamente, os fatores de proteção precisam aumentar para garantir que as doenças crônicas e o declínio funcional possam ser prevenidos ou adiados (ou seja, minimizados ao máximo). A promoção da saúde, a prevenção, a detecção e o tratamento das doenças precisam ser garantidos para apoiar o envelhecimento ativo e produtivo e para maximizar os dividendos da maior longevidade. Quando, e se, as pessoas vierem a precisar de cuidado, ele deve ser integrado e personalizado com ênfase geral sobre a manutenção da maior capacidade funcional e qualidade de vida possível (ILCB, 2015).

Consequentemente, de acordo com o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional (FIOH) um dos grandes desafios para o sucesso das organizações é manter a capacidade para o trabalho (CT), assim sendo o conceito de CT é uma condição resultante da combinação entre recursos humanos em relação às demandas físicas, mentais e sociais do trabalho, gerenciamento, cultura organizacional, comunidade e ambiente de trabalho (ILMARINEN, 2002). Desta maneira, a vertiginosa transição demográfica que o Brasil está atravessando, colocará grandes desafios para as instituições, como: redução da força jovem de trabalho, diversas gerações no mesmo ambiente laboral, mais anos no mercado de trabalho e principalmente ter um olhar holístico do trabalhador (estado de saúde, capacidades físicas e mentais, aspectos profissionais e pessoais), para desta maneira garantir a prosperidade das corporações e garantir melhores resultados institucionais.

Face aos fatores apresentados, o Centro de Inovação SESI Longevidade e Produtividade, através da Consultoria Vida e Trabalho, entendendo a necessidade de preparar trabalhadores e empresários para essa nova perspectiva, propõe ação com os objetivos de desenvolver competências pessoais e profissionais do trabalhador para a longevidade produtiva e a melhoria dos resultados da organização, utilizando 3 pilares essenciais: saúde, aprendizagem ao longo da vida e participação na sociedade. Aliado a tais pilares, o programa utiliza metodologia que trabalha de forma interdisciplinar e um ensino construtivista.

Analisando mais cuidadosamente estes 3 pontos essenciais para uma longevidade produtiva, verifica-se que se faz necessário potencializar competências do indivíduo durante todas as fases de sua vida laboral. Tal visão holística, também reforça a importância do cidadão se tornar protagonista em suas decisões, sendo essencial a eficaz autogestão da sua saúde e carreira, identificação de pontos fortes e otimização de um planejamento pessoal e profissional à médio / longo prazo.

Dentro deste contexto, prover a sociedade de informação é de grande importância para uma eficiente autogestão e tomada de decisão eficaz no que diz respeito aos 3 pilares essenciais para a longevidade produtiva. Cassarro (1995), afirma que a informação é o insumo básico do processo decisório e que permeia todas as fases do ciclo de tomada de decisões. O autor defende que é indispensável aos decisores dispor de informação confiável, adequada, em tempo certo, para que possam tomar decisões eficazes e eficientes. A autogestão da saúde e carreira está totalmente fundamentada em ter condições para a tomada de decisão, portanto, por meio da Consultoria Vida e Trabalho, ter a informação e serem orientados a planejar estrategicamente questões pessoais e profissionais, trarão ao indivíduo autonomia de forma integral.

A autogestão em todos estes aspectos é fundamental para que saibamos nosso potencial, não deixando que possíveis dificuldades impactem em nossa confiança e tirem o foco de nossos objetivos. Mantendo uma aprendizagem contínua e cientes de nossa capacidade, a responsabilidade por nossas decisões não serão entregues a terceiros.

Principais Mensagens:

O envelhecimento populacional brasileiro, em virtude do aumento da expectativa de vida, associado a uma reduzida renovação da população, face à queda nas taxas de fertilidade, trará profundos impactos sociais, políticos e na economia.
Desafios das organizações: Redução da força jovem de trabalho, diversas gerações no mesmo ambiente laboral, mais anos no mercado de trabalho e principalmente ter um olhar holístico do trabalhador (estado de saúde, capacidades físicas e mentais, aspectos profissionais e pessoais)
A promoção da saúde, a prevenção, a detecção e o tratamento das doenças precisam ser garantidos para apoiar o envelhecimento ativo e produtivo e para maximizar os dividendos da maior longevidade.
3 pilares essenciais: saúde, aprendizagem ao longo da vida e participação na sociedade, aliado a tais pilares, o programa utiliza metodologia que trabalha de forma interdisciplinar e um ensino construtivista.
A autogestão em todos estes aspectos é fundamental para que saibamos nosso potencial, não deixando que possíveis dificuldades impactem nossa confiança e tirem o foco de nossos objetivos.

Case do Centro de Inovação SESI – Longevidade e Produtividade

Conheça a solução inovadora Longevidade Produtiva, que visa promover o conhecimento e desenvolvendo a capacitação de autogestão pessoal e profissional dos trabalhadores da indústria, apoiando as empresas no que diz respeito: • Comunicação interna; • Relacionamento entre áreas da empresa; • Melhor identificação de papéis e responsabilidades dos colaboradores dentro da instituição; • Planejamento e gestão de carreira; • Planejamento e gestão de questões pessoais que interferem no rendimento profissional e saúde; • Melhora nas condições de saúde (atividade física, nutrição e autocuidado) do trabalhador.

Acesse esta e outras soluções do CIS, por meio da Plataforma Nacional de soluções inovadoras SESI:

Fique por dentro deste Centro de Inovação SESI em Longevidade e Produtividade, por meio do sítio eletrônico:

Conheça as soluções dos Centros de Inovação SESI (CIS), por meio da Plataforma Nacional de Soluções Inovadoras do SESI: http://inovacaosesi.org.br/ e cadastre desafios.

Autor:

Eduardo Weigang de Campos

Analista Segurança e Saúde – PL

Referências

Centro Internacional de Longevidade Brasil – ILC. Envelhecimento Ativo: Um Marco Político em Resposta à Revolução da Longevidade. Rio de Janeiro, Brasil, 2015.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação. 2019. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 10 jul. 2019.

KALACHE, Alexandre. A longevidade passa por uma revolução. 2018. Disponível em: <https://www.vivaalongevidade.com.br/forum-da-longevidade/alexandre-kalache-a-longevidade-passa-por-uma-revolucao>. Acesso em: 10 jul. 2019.

Cassarro, A. C. (1995). Sistemas de informações para tomada de decisões, São Paulo: Pioneira.

ILMARINEN, J. Challenges of the aging of the workforce in the European Union. In: RANTANEN, J. et al. (editors). Work in the Global Village: Proceedings of the Conference International Conference on Work Life in the 21st Century (People and Work Research Reports 49). Helsinki: Finnish Institute of Occupational Health; 2002.

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2 Comments

  • Neusa Pellizzer disse:

    Excelente matéria! As empresas apresentam ambientes propícios ao fornecimento de informações aos indivíduos e à implantação de metodologias para adequação de hábitos e estilo de vida. Além disso possuem informações relativas à saúde ocupacional… Estas, associadas aos dados relativos à assistência à saúde, devem fornecer insumos valiosos para a gestão da saúde populacional e implantação de diversos programas educativos de promoção da saúde.
    Saliento a importância de desenvolver em paralelo, programas educativos aos filhos dos empregados, pois é muito mais fácil e efetivo incutir hábitos saudáveis nas crianças, do que precisar trabalhar para corrigir os inadequados nos adultos. Uma vez aprendidos, os hábitos adequados serão incorporados com naturalidade e levados para a vida toda, automaticamente.

    • Jornalista disse:

      Cara Neuza,

      Queremos agradecer pela participação constante e feedbacks enviados ao nosso canal de saúde corporativa.

      A integração ocupacional-assistencial tem sido alvo de discussões nos fóruns em que o SESI participa e promove, tanto pelos Centros de Inovação SESI (http://www.inovacaosesi.com.br/) ou por grupos de trabalho, como o GT de Saúde Suplementar (https://www.portaldaindustria.com.br/sesi/canais/gtss/), que reúne diversos stakeholders para fomentar a discussão sobre a sustentabilidade desse setor, compreendendo que o ambiente de trabalho, ou seja, as empresas tem grande papel nesse processo, sobretudo quanto à promoção da saúde e prevenção de doenças, incluindo a temática estilo de vida.

      Por fim, com relação aos programas educativos para os filhos dos trabalhadores, destaco que o SESI Educação, cada vez mais, tem inserido na grade curricular temas de educação alimentar e nutricional e demais temas da saúde, inclusive em aulas de robótica.

      Vamos avançando!

      Não deixe de visitar a página Rede Saúde Corporativa para ficar atualizado sobre as principais inovações em saúde,qualidade de vida, segurança e bem-estar no trabalho!

      Abs,

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